quinta-feira, dezembro 18, 2014

Lua de mel, o que faltou contar...

Rá, viu o título e veio correndo, esperando ler detalhes picantes, né?
Nada disso, tô falando apenas da nossa viagem de lua de mel que aconteceu em fevereiro, sobre a qual já contei umas e outras coisinhas em posts anteriores, mas ainda não terminei.
(Hum, acho que já fui mais pontual por aqui...)

Vamos em frente, então:
Nossa agenda de passeios no deserto, feita logo na chegada ao hotel, incluía dois salares: Atacama e Tara. Em ambos, nos prometeram flamingos. Eles estavam lá, sim, mas estavam tão longe que foi preciso muito zoom nas câmeras pra fotografá-los...

Flamingos no Salar de Atacama, o primeiro que visitamos, logo no dia da chegada,
com direito a um pôr de sol lindão.


Flamingos no Salar de Tara
Foto: Ana Oliveira

Pra chegar ao Salar de Tara é preciso muita andança - de van, bem entendido! - pelo deserto. O caminho inclui estrada asfaltada e caminho de terra, lagos, pedras, montanhas e animais.
Já o Salar de Atacama fica pertinho da cidade. No caminho, conhecemos a praça, a igreja, as lhamas e o artesanato do pequeno povoado de Toconao.
A Laguna Cejar é também parte do Salar de Atacama. Fica a uns 18km da cidade e é um bom lugar pra ir pedalando. Fomos até lá duas vezes, de van, e nos esbaldamos naquelas águas salgadas.  A combinação de beleza, facilidade de acesso e diversão atrai muita gente. Na nossa primeira visita, o lugar estava bem movimentado... Ó:


Aí cê tá lendo e pensando: "Mas que raio de deserto mais úmido é esse? Lagos, salares, rios... Tem mais água que em São Paulo!"
Calma, tem deserto "de verdade", sim! Daquele jeito que você aprendeu na escola: pedras, areia, aridez total. Dá uma olhada nessas paisagens:

Tudo sequinho! Deserto, como manda o figurino, né?

O céu é um espetáculo único no Atacama. Observar estrelas, constelações, planetas e galáxias é parte obrigatória da agenda de todo turista.
A dois passos do Tierra Atacama, está o Observatório Astronômico Ahlarkapin, cujo nome significa "estrela brilhante". O pacote do hotel não incluia esse chamado "tour das estrelas", mas eles recomendaram e fizeram as reservas. 
(Pelo que li agora, parece que o Tierra já incorporou o observatório em suas opções de passeios.)
Há outros observatórios, de repente até mais profissionais que o Ahlarkapin, mas decidimos ir ali pela proximidade. Não quisemos investir num tour mais longo, sofisticado, e talvez mais caro,  já que a fase da lua em que estávamos não era totalmente propícia para a observação. E agora, pesquisando pra escrever esse post li aqui que o "nosso" observatório possui um dos maiores telescópios particulares. Será? A verdade é que fomos e gostamos.
Quer ter uma ideia de como funciona?  Dá uma olhadinha nesse clip. É curtinho: 38 segundos.



Quando você for ver estrelas no céu do deserto, leve um casaquinho, faz frio por lá. E procure saber antes qual a época mais apropriada para a observação celeste: quanto mais próximo da lua cheia, pior a visibilidade. (Nós pegamos o último dia possível naquela fase, ô sorte!)
Escolhendo a época de lua nova, você provavelmente vai ter uma ótima oportunidade de ver estrelas, mas vai perder a lua cheia nascendo atrás dos vulcões.  E agora?
Pra ajudar na decisão:

Da luneta, no último dia de função antes da lua cheia, nós vimos isso...
(Fotos: Ana Oliveira)

... e a olho nu, três dias depois, vimos issaí!
(Foto: Ana Oliveira)

E já que estamos falando do céu atacamenho, olha essas fotos:

Fotos: Ana Oliveira

Essas eram as cores do céu durante nosso trajeto entre Calama e São Pedro, no dia da nossa chegada, numa singela manhã de domingo. 
Já deu pra ver que o céu do "desertão" não estava pra brincadeira, né?

Pra encerrar o tema, vão aí mais alguns detalhes da viagem:
Nos posts anteriores, contei dos hotéis bam bam bam Tierra Atacama e The Aubrey, o primeiro em São Pedro de Atacama e o outro em Santiago. Faltou dizer que na ida, entre o voo São Paulo/Santiago e o voo Santiago/Calama, passamos uma noite no Holiday Inn Aeropuerto Santiago, que eu já conhecia de outra viagem e considero uma mão na roda pra quem vai fazer escala de uma noite por lá. O hotel fica a dois passos da área de embarque e desembarque do aeroporto de Santiago.
Voamos TAM e LAN e usamos a van do hotel durante todo o tempo em que estivemos no Atacama.
Pra sair do aeroporto rumo a Santiago, táxi.
Pra estada em Santiago, deixamos as malas no bagageiro do aeroporto, que é daqueles que têm um funcionário que recebe e entrega a bagagem... Nada de escaninhos fechados e chave em poder do viajante.

Pra ver ou rever as fotos dessa viagem, aqui estão os links:  


domingo, novembro 30, 2014

Nove anos

Imagem: http://bulbulk.com/
2014 foi o ano em que escrevi menos posts nesse blog. 
Foi um ano de muitas viagens, acontecimentos importantes... assunto não faltou! Mas escrevi pouco. Ainda nem acabei de contar sobre as viagens do início do ano...
Reflexo da pouca escrita: menos visitas, umas 20.000 mais ou menos.
Ao longo do ano, estive revendo alguns posts mais antigos e notei algumas mudanças na forma de escrever. Comecei com um tom mais pessoal e fui evoluindo para um estilo mais funcional, com links e informações mais precisas. Influência dos blogs que leio e um compromisso de retribuição pelas informações obtidas neles, acho.
E, penso agora, talvez esteja aí um dos motivos para escrever menos: posts práticos dão mais trabalho...
Mas seja lá como for, continuo curtindo o blog e as possibilidades de comunicação e de arquivo de lembranças que ele oferece. 
É nele que me baseio para relembrar quando estivemos em algum lugar ou fizemos determinada coisa. É a minha memória.
Assim, vamos que vamos rumo aos 10 anos!


quinta-feira, novembro 13, 2014

Vapores na madrugada



Lembra daqueles dias de rainhas que passamos no Atacama fazendo os passeios que escolhemos logo no dia da chegada? Lembra da listinha/ranking que fizemos?
Então, os dois primeiros colocados já tiveram seus posts por aqui: 

Pronto se você ainda não tinha lido, aí estão linkados todos os posts já escritos sobre essa viagem que - lembra? - era a nossa viagem de lua de mel!
Demorou, mas chegou a vez do 3º colocado, os Géiseres del Tatio.
Esse é um dos passeios bam-bam-bam do Atacama e para muita gente é o primeiro colocado. Pra nós, que já havíamos visto coisa parecida na Islândia, as fumacinhas chilenas não foram assim tão impactantes...
Não é um passeio difícil, exceto pela necessidade de acordar antes do canto do galo: os gêiseres são madrugadores e só mostram seu esplendor nos primeiros albores do dia.
O caminho é longo - 90km, aproximadamente -  e a madrugada, fria. Além disso, os campos de vapor ficam a mais de 4300 m de altitude. Fácil, para os fortes!
Ainda da estrada, já se podem ver as nuvens de vapor do campo geotermal. Uma vez no local, a ordem é andar por entre os gêiseres, cada qual com sua peculiaridade: uns mais constantes, outros mais altos, alguns mais quentes.
Há também uma piscina de água quente onde os mais atirados se banham. Nem preciso dizer que não foi esse o nosso caso...

Foto: Ana Oliveira

Quando o sol nasce, os guias já têm preparado um belo café da manhã para seus turistas. Daí é só alegria: bebidinhas aquecidas diretamente nos poços de água quente dos gêiseres, comidinhas gostosas, temperatura em elevação.
No caminho de volta, a programação previa uma parada em Machuca, mas da estrada avistamos um número exagerado de vans no pequeno povoado. Nosso guia sugeriu irmos direto para Vado Putana. 


Fomos. Trocamos as casas de pedra e palha de Machuca pelos flamingos, patos de bico azul, taguás e lhamas que habitam aquela úmida região andina.
Vado Putana, ó nós aí:



domingo, outubro 12, 2014

Dia das crianças às vésperas das eleições presidenciais

Chico César e a Banda Bate Lata na Câmara Municipal de São Paulo

Durante essa semana, por conta do segundo turno das eleições presidenciais, o tema da redução da maioridade penal esteve presente em muitas das postagens que li no Twitter e no Facebook. 
Guardei alguns artigos pra ler mais tarde. E o mais tarde foi hoje cedo... justamente na manhã do Dia das Crianças.
Li esse, esse e esse
E à medida que fui lendo, me lembrei de uma música do século passado que tinha tudo a ver com o assunto.
Assim que tive um tempinho, fui procurar a música nos meus guardados.
Taí: Infratores. É clicar e ouvir!
Depois me diz se não super-combina com o momento!
A música foi composta por Chico César e Tata Fernandes e está gravada no CD "Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome", da Banda Bate Lata, lançado em 1999 na Praça da Paz do Ibirapuera para 5.000 pessoas, com a participação de Chico César, Caetano Veloso, Orquestra Sinfônica de Campinas, Stomp e outros.
Pra conhecer os objetivos e o funcionamento da Banda Bate Lata é só dar uma olhada aqui e aqui.
Feliz dia das crianças pra todos nós!

segunda-feira, setembro 29, 2014

Um segredo de Madri - parte 2

Se você ainda não leu a parte 1 desse tema, corre lá pra saber como foi que chegamos às muralhas medievais de Madri acompanhadas de nossos novos amigos espanhóis José e Alicia.
Tá, agora todo mundo sabe que nos encontramos na Ópera, fomos ver as bases da Torre de los Huesos num estacionamento na Plaza Oriente e demos uma paradinha na cripta da Catedral de Almudena, que é mil vezes mais bonita que a própria catedral.
Olha só a porta da cripta, que lindeza:


Pois foi quando saímos por essa porta que tudo (re)começou! É que logo ali abaixo está Parque Emir Mohamed I, onde se pode ver um bom trecho das muralhas árabes construída há doze séculos.
Reparem nas pedras regulares que a compõem.  


Notaram algumas falhas na muralha original, tipo uns vestígios de janelas e revestimentos diferentes? Pois bem, são resquícios do palácio de um nobre que em algum momento existiu por lá e que foi totalmente derrubado há aproximadamente 50 anos.
Mas nem só os nobres construíram palácios junto às muralhas. Espanhóis comuns, viventes nos séculos XX e XXI, também edificaram modernos prédios por lá, sem o mínimo respeito pela história. Um exemplo disso aparece à direita do nosso ponto de vista ali no Parque Emir Mohamed I: um edifício moderno que, para facilitar a entrada de sua garagem subterrânea, derrubou parte da antiga muralha. Pode isso?


Continuamos nossa trilha, subindo em direção à Calle Bailén e caminhando até a Calle de la Morería, rumo ao bairro cristão. 
Nesse trajeto passamos por dois pontos interessantes e muito distintos entre si: a polêmica estátua "La Violetera", que depois de morar por 9 anos na esquina da Calle de Alcalá com a Gran Via, foi recolhida pela prefeitura por motivos políticos, esteve dois anos esquecida em algum depósito municipal e encontrou nova morada ali no Parque de las Vistillas, e a majestosa "Real Basílica de San Francisco El Grande", que conta com a maior cúpula da Espanha e a quarta maior do mundo!
(Prometo um post contando e mostrando tudinho sobre a basilicona...)
Seguimos então para a Calle de los Mancebos, em busca de um trecho da muralha cristã. Ali, ao lado do número 5 dessa rua, está um prédio construído sobre o que resta das pedras irregulares que constituíram um dia aquela parte da muralha.


Depois de uma visita à Igreja de San Andres e uma rápida entrada no Museo de los Orígenes, chegamos à Plaza Puerta de los Moros, onde esteve uma das portas da muralha cristã.
Uns passos a mais e estávamos no burburinho da Calle Cava Baja. Foi ali, que, pra nossa surpresa, José tocou a campainha numa pequena porta, disse algumas palavras no interfone -- "Abre-te, sésamo", talvez -- e a porta se abriu. Entramos para o pátio de um prédio, onde a parede lateral era nada menos que um enorme pedaço da muralha cristã. 19 metros de história, totalmente desprotegidos, dentro de um edifício de moradia!


José nos disse que demos sorte, já que nem sempre a mágica funciona, ou seja, não é toda vez que algum morador desavisado abre a porta de entrada do nº 30 da Cava Baja...
Na mesma rua, no nº 12, está a Posada del León de Oro, que conserva no subsolo de seu restaurante, convertida em adega, outra parte da muralha.


Nosso passeio histórico terminou logo adiante, na Plaza de Puerta Cerrada. Os lugares por onde passamos são apenas alguns dos quais se podem ver restos das muralhas. Há outros, tanto na parte árabe como na cristã. Clique aqui se quiser ver uma lista que José nos enviou com mais algumas indicações de locais onde se podem avistar as velhas pedras de Madri.
E, se você tiver interesse... e paciência, pode ver as 54 telas desse pps que conta toda a história da Madri Medieval.
Percorrer esses lugares notáveis com nossos amigos foi um grande prazer, mas eles ainda tinham uma carta na manga!
Finalizamos o nossas andanças em grande estilo, com um delicioso bacalhau à dorê frito na hora, acompanhado de vermute de grifo, na folclórica Casa Revuelta, um tradicional bar de tapas, onde, com o perdão do trocadilho, é preciso disputar seu bacalhau a tapas.


José e Alicia nos acompanharam até a Plaza Mayor e ali nos despedimos com a promessa de nos reencontrarmos no Brasil, na Espanha ou em qualquer outro lugar do mundo. Afinal, somos todos viciados em viajar!