quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Soberano... mas nem tanto



Ano passado, Ana e eu inovamos no presente de aniversário para os nossos pais – a mãe dela e o meu pai – ambos aniversariantes em abril. Antecipamos os festejos e embarcamos num mini cruzeiro no Costa Favolosa, em março de 2015. Eles amaram e nós também.

Diante do sucesso da empreitada, decidimos repetir a dose nesse ano. Escolhemos o Sovereign da Pullmantur para a viagenzinha de 2016. Antecipando ainda mais as comemorações, viajamos em janeiro.

O roteiro do minicruzeiro do Sovereign nos pareceu sob medida para a ocasião: Rio de Janeiro, parando de cara com a nova Praça Mauá, que não conhecíamos ainda, e Búzios tranquilinha e fácil de andar.

Compramos as cabines na modalidade sorteio, ou seja, a gente escolhe o tipo de cabine mas não a localização dela. Pegamos a última cabine interna disponível e mais uma, externa. No embarque recebemos um upgrade: as duas cabines eram externas. Oba!

Embarcando no Sovereign

Outra surpresa do embarque foi saber que tínhamos "passe livre" nos bares do navio. Todas – ou quase todas – as bebidas estavam incluídas no nosso pacote. E para isso devíamos usar uma incômoda pulseira plástica que servia como identificação do privilégio. Vai vendo!

O lobby central do navio nos decepcionou. Nada daquele luxo que normalmente existe. Um espaço pequeno, com móveis surrados e pouco espaço pra sentar e curtir o people watching. Aliás, móveis em estado de conservação precário havia por toda parte...

Nosso cantinho predileto no lobby do Sovereign

 O primeiro almoço a bordo já mostrou que a comida não era lá essas coisas comparada com a de viagens anteriores.

E, vejam vocês, aquela lenda de que se pode comer durante 24 horas numa viagem de navio, não se aplica ao Sovereign. No meio da tarde, o buffet do último andar fechava e quem ainda não tivesse almoçado, ou quisesse fazer uma boquinha, tinha que se sujeitar a uma enorme fila ao sol, num balcão onde se serviam hamburgueres e pizzas, apenas.

Entre as bebidas incluídas no nosso pacote, estava o café. Delícia! Só que nem sempre as poucas máquinas de café existentes no navio estavam em funcionamento.

Cafezinho

Havia também uma lista de drinks incluídos, mas todos os que experimentamos eram de qualidade duvidosa. Nada daquele charme de bebidas com decoração e salgadinhos acompanhando. É claro que todos esses mimos que encontramos em outras viagens têm a função de fazer com que o cliente consuma mais e mais, o que, no caso do Sovereign não interessava: quanto menos a gente consumisse, melhor pra eles. Assim, o serviço era lento e as bebidas não agradavam a ponto de querermos repetir.

Ah, a água mineral em garrafa NÃO estava incluída. Água só nas máquinas, que nem sempre estavam abastecidas. Água em garrafas eram vendidas à parte, por um precinho nada convidativo. Tivemos que nos virar com a água oferecida nos quartos, pelos camareiros, ao preço de dois dólares a garrafa.

Por outro lado, com cerveja e drinks alcoólicos à vontade, pode-se imaginar o nível de "alegria" dos passageiros. 

E a música, ai, a música... Nada daquela diversidade de opções. Em todo canto havia música sertaneja em alto e bom som. Difícil conseguir um cantinho calmo, agradável.

Não fui às festas da piscina, mas meu pai, que não perde nenhum evento da viagem, me contou que eram bem escrachadas.

Eleição da miss Sovereign, em foto feita pelo meu pai

De bom, mesmo, só posso assinalar o atendimento dos funcionários. Tudo o que solicitamos foi atendido com atenção e certa rapidez.

Chegamos ao Rio de Janeiro com chuva. Das janelas do navio, parado no porto bem longe do terminal, víamos as poças de água e lamentávamos não poder descer rapidinho pra curtir a Praça Mauá, o Museu do Amanhã, o MAR  –  Museu de Arte do Rio.

Mas não sabíamos que o pior ainda estava por vir. Esperamos uma breve estiada e saímos do navio. Quando o ônibus do porto nos deixou no terminal, descobrimos que a saída que dava quase que diretamente na praça estava fechada.

Para sair dali era preciso caminhar bastante em direção contrária à praça, por um caminho improvisado, atravessar um calçadão em obras, andar até a rua paralela e voltar todo o trecho já caminhado até chegar à nova Praça Mauá. Agora, imaginem tudo isso com duas pessoas de idade, uma das quais com certa dificuldade de movimentação, e com calçadas molhadas e enlameadas.

Saída do porto, no Rio de Janeiro

Mudamos os planos e, depois de atravessar as obras, tomamos um táxi até o CCBB. Foi uma boa ideia, o lugar é bonito e fica perto da Casa França Brasil, que também agradou aos nossos pais.

Voltamos de táxi até a Praça Mauá. Tivemos sorte de chegar ali sem chuva. Passeamos por lá, vimos a parte externa do novo museu, subimos ao terraço do MAR  e almoçamos ali, no Mauá  Restaurante, escapando assim da comida sem graça a bordo.

Na nova Praça Mauá, com o Museu do Amanhã ao fundo

Na volta pro navio, topamos com a mesma dificuldade da saída: foi preciso caminhar muito e por caminhos nada amigáveis para chegar ao terminal marítimo.

Ufa! E nós que tínhamos escolhido esse roteiro exatamente pela facilidade...

No dia seguinte, lançamos âncora em Búzios. A descida à terra era feita por escunas locais que deixavam os turistas bem longe do centro da cidade. Caminhamos pela orla o quanto nossos velhinhos aguentaram e voltamos ao pier de táxi, a tempo de almoçar no navio.

Desembarcando em Búzios

 O dia seguinte foi de navegação, com as dores e delícias do Sovereign.

Um dia depois, aportamos em Santos um pouco desapontadas com o presente que oferecemos aos aniversariantes.

Fazer o quê?

¯\_(ツ)_/¯

Pode acontecer!

domingo, janeiro 17, 2016

Dresden

Foto: Ana Oliveira

Há 7 meses e alguns dias, chegávamos a Dresden, nossa primeira parada numa viagem meio longuinha pelas terras do mundo do lado de lá.
Nossa estratégia para chegar à bela cidade às margens do Elba, já foi contada aqui, mas repito em edição revista e ampliada:
Voamos de São Paulo a Paris com a Air France. Escolhemos assentos mais confortáveis, aqueles pelos quais a gente paga uma taxa a mais, mas o voo foi bem cansativo.

Em Paris, demos uma voltinha no aeroporto, tomamos um café e pegamos uma conexão para Berlim.
 
Em Tegel, o aeroporto de Berlim, pegamos um ônibus que nos deixou na frente da Estação Central, onde almoçamos, guardamos a bagagem maior no maleiro, fizemos hora - muitas - filando o wifi do McDonald's e pegamos o trem para Dresden, cuja passagem já havíamos comprado por um precinho bem camarada aqui no Brasil, no site da ferrovia alemã, a DB. Entre nossa saída de casa até a chegada ao hotel Ibis Budget Dresden City, foram quase 30 horas. Ufa!

O hotel foi uma ótima escolha: bom preço, acomodações padrão Ibis e boa localização. De lá fizemos quase tudo a pé, até ir e voltar para a estação de trem. E quando fomos à Neustadt para visitar a simpática Kunsthofpassage, pegamos o tram ali bem pertinho também.

As notícias que tínhamos da temperatura naquela região nos diziam que fazia calor por lá. Assim, levamos apenas nossos casacos impermeáveis, para o caso de uma chuvinha de verão... Rá! Além do frio que passamos na estação de Berlim, chegamos a Dresden com chuva e mais frio. Saímos no dia seguinte para comprar blusas mais quentinhas. E elas nos ajudaram mais algumas vezes durante a viagem.

Passamos dois dias por lá, nos encantando com torres, igrejas, castelos, ruas, ruelas, praças, parques, rio, pontes, a cada olhar uma exclamação, um espanto.

Procissão dos Príncipes

À primeira vista, não vimos o obrigatório Fürstenzug, um mural que mostra um desfile de príncipes, reis e duques da Saxônia, sobre o qual havíamos lido em vários posts, antes da viagem. Mas foi só um passeiozinho a mais e lá estava ele. Mais de cem metros cobertos com cerca de 24.000 azulejos. Uma verdadeira Procissão dos Príncipes, como é chamado.

Detalhes (Fotos: Ana Oliveira)

Pra quem quiser saber detalhes sobre o Fürstenzug, recomendo a leitura desse post do Viajoteca, que conta tudinho sobre o mural.

Andando pra lá e pra cá, fomos parar atrás do Fürstenzug, num pátio bem bonito, que, por estar quase vazio naquele momento, nos pareceu ser uma descoberta nossa. Que nada! O lugar também é famosinho, é o Stallhof, um antigo pátio de estábulos do Residenzschloss, o Palácio Real de Dresden.

Foto: Ana Oliveira

Chegamos ali quando voltávamos de um lugarzinho delicioso, onde fomos mais de uma vez. É o Camondas. Vale sentar ali de frente pra rua e degustar um cafezinho com chocolate, enquanto vê a vida passar lá fora. Deixo o mapa pra vocês saberem onde é e fotos pra dar água na boca:




Camondas Schocoladen, nós recomendamos!

 A verdade é que Dresden é linda. E pra mim, que sou apaixonada por torres, foi um luxo. Fiz até um álbum caprichado com as torres que fotografei por lá. Olhaí, é só clicar aqui pra ver tudinho, fotos e informações.

Aqui tem mais algumas fotinhos, postadas nas redes sociais, no calor da hora.

E aqui eu já contei sobre os momentos musicais que vivemos por lá.

É ou não é um destino imperdível?

domingo, janeiro 10, 2016

Motovun

Motovun - Foto: Ana Oliveira

Ano passado estivemos na Croácia, estão lembrados?

Já contei umas poucas coisas aqui e fiquei devendo outras, muitas.

Aí vai mais uma:

Hoje, depois do almoço, Ana desencavou uma lembrancinha de viagem deliciosa: nossa sobremesa  foi regada a mel aromatizado com trufas brancas, trazido diretamente de Motovun.

Eu não sei como se chega a Motovun numa viagem independente. Mas para nós, que viajávamos num grupo, com guia e ônibus particular, foi quase fácil. 

Vínhamos de Pula, a maior cidade da região, e tínhamos como destino a pequena cidade medieval, construída quase 300m acima do nível do mar. Nossos gurus - Mário, o motorista e Tin, o guia - tiveram um pouquinho de dificuldade com o caminho para chegar à base da colina onde está a cidade, mas, com algumas idas e vindas, chegamos.  


Nosso ônibus não era muito grande, mas não tinha permissão para subir. Usamos o transporte local e num instante estávamos debruçadas sobre muros do século XIII admirando a paisagem do vale do Rio Mirna.

Foto: Elena Noguchi

Mas, além da bela vista e das construções históricas, mais um motivo nos levou a Motovun: comer uma bela macarronada temperada com trufas no restaurante do hotel Kaštel.


Sim, estávamos em plena temporada das trufas.

As ladeiras inclinadas e pedregosas que separavam o ponto do ônibus do restaurante cheiravam a trufas. Cada lojinha tinha seu cantinho de degustação para atrair os passantes. 

Foto: Elena Noguchi

Tin nos levou direto ao restaurante. As compras ficaram pra volta.

O Kaštel não é assim uma Brastemp, mas estava incluído no nosso pacote e o prato prometido tinha lá o seu encanto, principalmente para quem nunca tinha provado a trufa da região.


Depois do almoço, tivemos tempo pra exercer aquela atividade de turista que não pode ver uma lojinha de produtos locais: entramos em todas, provamos tudo o que nos ofereceram e compramos algumas coisinhas.

Na nossa malinha vieram um vidro com duas belas trufas negras e um potinho de mel com lasquinhas de trufa branca.


Usamos das trufas negras para temperar um macarrão feito em casa - pela Ana, claro! - usando mais uma lembrancinha de viagem: rolos de massa especiais, trazidos de Alberobello.


E o melzinho adoçou a mandioca cozida que comemos hoje depois do almoço.
 

segunda-feira, novembro 30, 2015

DEZ ANOS

Um dia desses li em alguma rede social uma postagem interessante. Dizia que, no passado, as pessoas escreviam diários e ficavam possessas se alguém os lia. Hoje, escrevem blogs (=diários) e ficam chateadas se ninguém os lê.

Verdade, né?

Tempos modernos!

Mesmo os blogueiros mais blasés ficam orgulhosos com os números apontados nas estatísticas de visitas ao seu diá... ops, blog.

Eu mesma, que há dez anos iniciei esse blog "pensando em mostrar aos amigos - novos e antigos - como é minha vida, o que faço, aonde vou, o que vejo, o que penso", como num diário mesmo, sem nenhuma pretensão de ter elevado número de leitores, fico toda pimpona quando vejo que alguns posts bombam. Olha só esses números:


Visualisação de páginas nos últimos 5 anos

Dá um orgulhinho saber que tanta gente apareceu por aqui pra ver/ler as minhas histórias.

E fico ainda mais felizinha quando vejo que essa gente está espalhada pelo mundo afora. 

Quando, ao começar essa aventura, eu pensaria em ser lida na China, Rússia, Ucrânia... 

Leitores dos últimos 5 anos

Internet, eu te amo! 




E vejam só a coincidência: no meu primeiro post aqui no De uns tempos... eu contava sobre o lançamento de um livro de poesias de Chico César, o Cantáteis. E não é que, há poucos dias, Chico lançou um novo livro, também de poesias: Versos Pornográficos.

Fui lá, claro! E acrescento a dedicatória que recebi à comemoração dos dez anos desse blog, que já nasceu tiete do Chico.

Taí:


Viva!

domingo, novembro 15, 2015

ACHADOS EM SANTIAGO

Contadas as venturas e desventuras da viagem a Santiago, com as mágoas já guardadinhas lá no fundo da memória – e os dólares repostos – volto pra contar sobre nossa agradável descoberta gastronômica na cidade: o Peumayén.


Não, ninguém nos indicou o lugar. Nenhum blog, nenhum amigo, nenhum site turístico. Fomos nós mesmas que notamos a discreta entrada do restaurante, numa caminhada pelo bairro. Achamos simpático o lugar e gostamos da proposta de comida ancestral. Ana fotografou a placa para futura referência. (Sim, somos dessas que saem fotografando coisas e lugares pra não esquecer mais tarde.)

Fomos, numa noite de quinta-feira. O primeiro deslumbramento ficou por conta do cenário. Dois espaços. Um salão sóbrio, com peças e panos primitivistas. Um jardim interno com plantas que se esparramavam pelas paredes e vigas. Em tudo um perfume agradável e inesquecível. Chegamos cedo, sem reserva, nem nada: a casa abre às 19h. Conseguimos uma mesinha no primeiro ambiente. Ô sorte, minutos depois o lugar estava cheio.



Naquele ambiente descolado, rústico chique, um time de funcionários jovens e bem afinados se revezava para explicar e servir cada passo do jantar.

Começamos com um pisco sour de rica-rica.


O garçom responsável por apresentar os drinks nos olhou com ar de aprovação quando viu que já éramos “íntimas” da perfumada erva do deserto chileno.

Enquanto esperávamos nossa bebida, outra assistente nos descreveu as opções de entrada. 


Optamos pela degustação vegetariana.

E assim começou nossa noite: com aroma de rica-rica, sabor de pisco, agradinho do chefe com tartar de carne de cavalo o_O e nossa tábua de legumes grelhados.


Para a eleição dos pratos principais, mais uma rodada de informações, descrições e sugestões, protagonizada por nova atendente.


Antes que nossas escolhas chegassem à mesa, ainda havia muito o que degustar. Seguimos com uma seleção de pães, cujas origens e história nos foram expostas com detalhes.


E mais um mimo do chefe, uma porçãozinha de batatas tinindo de crocantes.


Depois, pra preparar o paladar, um delicado sorbet de gengibre.

Assim, de surpresa em surpresa, chegamos aos pratos principais. Ana foi de carne de porco e eu de risoto de quinoa. Esplêndidos!

Chancho, algarrobina, legumbres

Lawa de quínoa y vegetales

Sobremesa? Claro!


Pra experimentar um pouquinho de tudo, escolhemos a degustação. Com chá pra acompanhar.


Se a sobremesa foi escolhida com a gula, o chá foi selecionado com o olfato. Chegaram à mesa dez potinhos com diferentes sabores/aromas, uma espécie de cardápio perfumado.


Depois de tudo isso, só mesmo a conta. Ei-la!


Algo entre 300 e 350 reais. Caro? Eu bem que avisei que a cidade estava com preços altos. Mas levando em consideração o deleite daquela noite, achamos justo o custo x benefício.


Voltaremos, com certeza!

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E falando em achado gastronômico, conto que descobrimos também um café maneiro, o María Betania.

Fica na Calle Obispo Perez de Espinoza, numa espécie de pracinha à margem da Av. Providência, numa bonita construção ao lado da Igreja Santos Angeles Custódios. (Aliás, a igreja é famosinha e só não a visitamos porque estava fechada quando estivemos por lá.)


Entramos atraídas pelo nome do café e gostamos do lugar, discreto e simples como a nossa musa Maria Bethânia.

Mais um lugarzinho pra voltar!